27 abril, 2010

Saudade




Para escrever de sentimentos assim não é fácil. São seis anos! Mal da para acreditar e mesmo com tanto tempo ainda sim é só fechar os olhos que consigo ver aquele dia como se fosse ontem.
Eu tinha pedido demissão do trabalho e ajudava minha mãe a preparar a casa para receber minha tia. Eu estava lavando o quintal quando telefone toca. Um frio sobe minha espinha. Parei e fiquei ouvindo, minha mãe diz algumas palavras indecifráveis e explode em choro. Estava feito. O dia que mais temi a minha vida toda havia chegado.
Eu sempre pensei o seguinte, prefiro partir a ver as pessoas que amo partir antes de mim. Mas Deus sabe o que faz.
Desde que me conhecia por gente a morte da minha tia foi a primeira que me proporcionou uma dor tão forte e uma saudade enorme de tudo aquilo que eu não fiz junto com ela. Tia Aninha era a alma de toda a minha família materna era o elo de ligação, a alegria contagiante e um exemplo de fé e humildade.
Lembro-me que quando ela partiu fiquei dias pensando que poderia ter ido mais a casa dela, poderia ter sido uma sobrinha melhor, só precisava de mais uma chance, só queria mais uma chance...
Na última vez que a vi no hospital em jaú - essa cena é uma das que mais me lembro - ela estava com arritmia, falava pouco e baixinho, nem parecia mais minha tia, ali vulnerável e triste; e ainda assim disse que tudo ficaria bem. E ficou.
Eu estava sentada em um banco do lado de fora do velório quando vi o carro funerário chegar, o motorista manobrou e a traseira do carro parou bem de frente para mim, eu fiquei sem reação. Do nada um aperto subiu pelo meu peito e explodiu em lagrimas.
No dia seguinte, durante o enterro, cantamos sua música preferida – Estrada da Vida, Milionário e José Rico – e me despedi dela.
O que mais me dói é saber que ela não vai estar presente nos momentos mais importantes da minha vida, ela nem mesmo teve a chance de ver formada em jornalismo; algo que ela queria muito.
Hoje levo comigo as boas histórias que passamos e espero poder falar muito dela para meus filhos, quero que todos saibam a tia maravilhosa que eu tive.

07 abril, 2010

De onde estou hoje...

...vejo uma pessoa diferente no passado e sinto que esta nova pessoa que sou a cada dia, no futuro, será extraordinária.
Ontem conversando com um amigo cheguei a uma conclusão que até então não tinha pensado com tanta franqueza, hoje sou melhor que ontem, é fato! Vivi experiências que nunca imaginei serem possíveis acontecer comigo, mas, as máxima “tudo pode acontecer” e “ nunca diga nunca” foram comprovadas. Eu cresci, sinto isso e tenho essa certeza, mas só eu e Deus, coitado como sofreu comigo, sabe que o preço foi de fato, alto. Para pessoas como eu com um pouco de falta de confiança e extrema habilidade para se enrolar driblar as situações que passei sem entrar em parafuso é algo a se comemorar.
Nesse momento a vibe é azul, serena e de confiança, Deus! Como ralei, ralamos para estar nesse ponto e a i vocês se perguntam “mas que ponto é esse?” É no topo de uma montanha olhando o futuro, sentindo a chuva correr pelo corpo e assim chegar ao chão que faz subir um cheiro de terra molhada que enche o coração de alegria e faz o passado ser um caminho pequeno que você percorreu para chegar a essa montanha.
O segredo é permanecer confiante quando você desce dessa montanha, confiante que você vai voltar pra lá e acima de tudo confiante em Deus.
E não se esqueça que QUANTO MAIOR É A SUBIDA MAIOR SERÁ A VITÓRIA!